quarta-feira, 27 de julho de 2011

Day

chuva na janela,
os olhos na capela,
noite lenta
sonhar, sonhar,
acodar devagar.
goles de café,
chocolate meio amargo,
música no rádio,
banho bem tomado,
perfume descolado.
maqueagem bem feita,
roupa legal,
unhas perfeitas,
cabelo natural.
mp3 com músicas lentas,
ônibus vazio,
ir pela sombra,
voltar pela noite,
curtir o frio.
café com pão,
chá de limão.
massagem nos pés,
estalo de dedos,
ventilador na cara,
sono perfeito.

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Mesmo estando gripada, morrendo de tossir,
eu ainda consigo tirar onda com a cara do vírus e
curtir meu tempo solitário e frio.
Ainda bem... :)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Menta na Boca

Em certos momentos 
me encontro em lugares obscuros.
Nada mal pra uma versão barata de mim.
Em meio à suor frio e sacolas plásticas bailando no ar,
lembro de frases clichês
como aquelas que dizem que 
não se vive grandes histórias sem algumas pequenas feridas.
Afinal, não irei viver pra sempre.

Tenho botões dourados nos seios 
e o meu corpo se colore quando encontra a rua.
sou dois trens pegando trilhos diferentes.
De segunda à quinta sou puritana,
de sexta à domingo sou puta 
com vagões entre as pernas.
Posso ser a bailarina da sua caixinha de música,
mas também a macieira da qual você prova a maçã.

Agora são 15:37,
prefiro o crime ao pecado,
e digo isso porque hoje é sábado.
Uso Poison na nuca e no colo.
Fumo meu cigarro,
e pra tirar o cheiro do mal hábito...
uso chiclete de menta na boca.

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OK, hoje não é sábado e nem são 15:37.
Também nunca disse que meus textos fariam sentido, rs.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Assistindo você

Em tela,
em pixels,
por horas e horas,
capítulos e capítulos,
o mesmo enredo,
a mesma agonia do lado de fora.
Um quadrado,
uma janela,
um rosto,
um comportamento,
atitudes,
palavras,
esperanças,
desistências,
romance,
raiva,
desamor...
Por dias e dias,
você é um filme e nem sabe.
lento-paixão-fogo-calor-desejo-pressa-
dor-prazer-dor-prazer-prazer-prazer-
prazer-prazer-prazer-dor-prazer-dor-
prazer-dor-prazer-
êxtase-orgasmo-
cansaço-
amor.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pergunte ao pó

"Ando meio assim, sei lá como.
Rumo ao incerto.
Tô praticando besteiras, resmungando asneiras.
Coisas sem necessidade...
Ando meio assim, meio cama, meio saudade,
meio dor, meio amor, meio amizade.
Ando assim, meio folha ao vento,
sem explicações, sem caminho, 
ando assim, meio sozinho,
só mil corações,
em cadernos,
em paredes, 
em árvores...
Lamentações.
Não a almejo mais. 
Ando ao meio."

E foi assim, sozinho, que descobri que sou vento frio,
fino como agulha, afiado como estilete.
Depois que a gente vira tristeza,
nossa fortaleza é o mundo, 
é a correnteza que nos leva à caminhos aleatórios,
sem certezas e sem esperas.
O desconhecido guia nossas vidas e quem freia é qualquer coisa,
pode ser a pedra na qual tropeçamos,
pode ser a água na qual afundamos,
até a lama que suja nossos pés e nos faz deixar rastros no passado 
que nem no futuro a gente quer lembrar.
Por falta de opção segui qualquer caminho, alone.
Talvez algum dia haja um jardim... não!
Uma biblioteca numa rua escura e úmida,
com livros velhos e empoeirados
que me revelem frustrações de mil pessoas,
de mil corações.
Então explodirei de uma maneira,
com a felicidade de quem encontra seu lar. 
Serei poeira encrostada nos livros, nos mil corações.
Não serei sozinho.
E quem quiser saber de mim, vá a biblioteca da rua úmida
e "pergunte ao pó".



segunda-feira, 4 de julho de 2011