Não é nada, nada daquilo que você pensa. É somente aquilo que
você não imagina que eu possa querer. É cruel.
Eu gostaria poder acreditar que poderíamos ser algo de bom...
mas é que sempre há um fim. Aquele momento em que se pode recomeçar.
E meu anjo, eu juro que tentei, juro! Juro que tentei enxergar além de mim.
Mas a idéia de ser mais que EU, é perder parte de mim, é me dividir e perder
minhas emoções. Então você pode me perguntar se eu sou tão egoísta a ponto de
não querer me dar e te aquecer como o sol matutino que entra pela janela,
acordando ao teu lado, não querer te fazer promessas por não ter certeza
de que o presente tímido é um futuro concreto. Não te deixar me esquecer, te esquecendo...
Nunca fui anjo, também nunca fui demônio. Apenas sou forte naquilo que peco.
Pecado não é te enganar, pecado é mentir pra mim. É uma grande vida cheia de
emoções alheias, roubadas, é satisfação momentânea que se apaga e se acaba na fonte.
Não serás a única. Não serás eterna. Não terás meu coração. Porque existirá
outras fontes, outras milhares.
Tentei lhe alertar sobre mim. Tentei não fazer de você uma opção a mais,
porque... por mais que eu tente não ser como sou, há outras milhões de vidas a serem beijadas, tocadas, possuídas... e sinto muito querida, isso é mais forte que eu. Não se lamente. Leve como uma lição de vida.
Eu desejo amar todas e não amo ninguém. Procurarei satisfação em outras almas, entrarei por
cada brecha e me confortarei em outros lares... Meu espírito está longe do seu, querida.
Tão longe quanto o oposto de cada coisa.
Deixo essa carta não para que entenda como sou, mas para que saiba que fui o vampiro da sua alma.
Não me esqueça, querida Kate, não me esqueça...
J.
