Só.
O medo tira a vida de qualquer pessoa. Tira a vida e sufoca com gritos presos na garganta.
Eu fico só. Sem pensar, sem chorar, sem lamentar. Uma tristeza diferente rebate no peito.
É o medo triste, aquele que vem acompanhado de solidão. Quem diria que uma palavra tão distante faria par com o temor.
Uma frieza com telhado, de portas e janelas trancadas, é um novo lar. Moro só.
Na janela um vidro embaçado, cinza, impenetrante, distancia qualquer visitante.
Nos fundos, me encontro sentado, pesado como chumbo, tentando explicar pro mundo que não quero
boas notícias, não quero vozes de consolo, apenas silêncio. Mas a curta palavra que pronuncio é a que mais me dói. Quando a casa é grande o eco é mais pertubador.
A casa chora: sóóó, sóóóó, sóóóóó...